Aqui procuramos explicar alguns dos principais conceitos que servem como base para pensar nossas ações e projetos. Os conceitos dizem sobre a nossa visão de mundo, sobre como entendemos a sociedade e, consequentemente, como procuramos pautar as ideias, ações e relações.

NOSSOS CONCEITOS

image406

Afeto

Para nós, o afeto é capaz de gerar mudanças nos modos de existir no mundo. Isso, pois o afeto, além de sua dimensão emocional, tem também uma dimensão política. Afetar-se pela realidade, pelo encontro com o outro, tem potencial de transformação, de invenção de novas formas objetivas e subjetivas de lidar com as condições que se estabelecem em cada contexto.

Transformação

A transformação é um dos pontos fundamentais do nosso horizonte de atuação. No entanto, partimos da ideia de uma transformação possível e situada. Ou seja, nosso trabalho é voltado para uma transformação da realidade a partir dos recursos locais existentes e das estratégias que possam ser construídas junto com a população. Uma transformação possível e situada considera prioritariamente a realidade a ser trabalhada, escapando de idealizações ou metodologias e modelos prontos que negligenciem os aspectos históricos e culturais envolvidos.

Tripé ético-político-afetivo

Nossas ações se baseiam em um tripé que aborda três posicionamentos. O primeiro diz respeito à ética em sua construção relacional, ou seja, nos importa uma ética das relações humanas, que tem como condição a reflexividade e se encontra para além do sentido prescritivo. A ética deve estar pautada na dialogicidade e no modo de lidar com as relações. O segundo posicionamento considera nossa existência política, ou seja, aborda nossa potência de agir no mundo e de criar modos de atuar, transformar e resistir. Já o terceiro posicionamento traz novamente como base o afeto em seu sentido de “afetação”, ou seja, pautando a reciprocidade e o reconhecimento das distintas condições existentes nos contextos. Assim, o tripé ético-político-afetivo sustenta e orienta nossas ações para que, de fato, estas se aproximem da realidade social compreendendo suas configurações, muitas vezes, desiguais, hierárquicas e opressoras. 

Mobilização

Esta noção está atrelada ao reconhecimento e consciência sobre os efeitos da participação social e do potencial coletivo. Envolve um processo de construção de condições, psicossociais, políticas e materiais que são articuladas a partir de ações coletivas, assim como noções de pertencimento e identidade.

Promoção da autonomia

Outro ponto fundamental no horizonte de nossas ações é a promoção da autonomia. Contudo, tal noção não se faz sem a necessária reflexão sobre a autonomia possível diante das históricas lógicas de opressão, muitas vezes, institucionalizadas. Por isso, as ações partem da perspectiva de emancipação humana e promoção da consciência crítica, para então construir, de forma coletiva, estratégias de superação de invisibilidades e de práticas assistencialistas.  

Objetividade/Subjetividade

Na base de nossos projetos está o método do materialismo histórico dialético. A partir desta perspectiva, consideramos que as demandas e problemáticas da sociedade são atravessadas por dimensões objetivas (materiais, concretas) e subjetivas (sintetizando como sentimos e nos posicionamos no mundo). Neste sentido, as ações pensadas pela Afeta preocupam-se com a transformação concreta das situações de desigualdade, assim como com a possibilidade de criar outros modos de subjetivação possíveis diante da realidade.